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Partir a loiça no Chiado já esgotou um ‘stock’ de cinco mil pratos

Cem mil cacos de pratos ao fim de seis dias, amanhã haverá mais loiça para partir

Cinco mil pessoas já descarregaram o stress de um dia de trabalho a partir a loiça no Chiado, em Lisboa. De tal forma que esgotaram o stock de pratos da iniciativa que começou há uma semana. A organização promete mais pratos para amanhã. Só depois será possível retomar este curioso ritual anti-stress: escrever uma mensagem com uma caneta preta no prato branco e, com mais ou menos algazarra, parti-lo contra uma parede onde está projectado um vídeo em que várias pessoas se queixam do que fica por fazer por causa do trabalho.

A adesão do público foi tanta, que o artista que idealizou esta exposição, Hugo Israel, de 31 anos (ver perfil ao lado), teve de encomendar mais uma remessa de pratos à SPAL Porcelanas. Com alguma surpresa. “Inicialmente estava inseguro mas o sucesso excedeu todas as minhas expectativas”, disse ontem ao DN.

Hugo Israel conseguiu mobilizar milhares de visitantes com esta iniciativa, que pretende seja terapêutica – o que tem sido provado pelos vários visitantes. O sucesso é tal que o Chiado After Work só termina no dia 30 e já não há loiça disponível para partir. Restam 1500 pratos expostos nas paredes com mensagens do artista e um monte de cacos de porcelana no chão. Cem mil, estima o artista.

Ontem no Chiado prosseguia o Chiado After Work, iniciativa da Associação para a Valorização do Chiado, que pretende dinamizar aquela zona, com as lojas abertas até mais tarde (às 21.00) e muita animação. E era com algum desalento que os visitantes se deparavam com o fim do lote de cinco mil pratos.

“Achei muito desagradável não avisarem as pessoas de que o stock de pratos já tinha terminado”, diz Sofia Visenjou, estudante de Arquitectura. “É muito chato, mas como a ideia é tão gira, havemos de voltar brevemente”, acrescentou Bárbara Monteiro, estudante de Design. “Fiquei desanimada, porque podia ter aproveitado a minha folga noutro lugar”, disse Raquel Nunes, lojista. Veio de Sintra e trouxe a família para libertar o stress ao passear por Lisboa.

Isabel Silva, professora de Inglês, estava a passear com o seu marido pelo espaço – a antiga Pastelaria Marques, na Rua Garrett, n.º 70. “Trouxe o meu marido, porque achei importante partilharmos este momento juntos. Mas quando vi que não havia mais pratos para partir, fiquei-me pelos bolinhos da KaffeeHaus” disse.

O casal de turistas alemães Thomas e Lydia (29 anos) já tinham tido a experiência de partir pratos no Chiado. Mas gostaram tanto que ontem regressaram. Depararam-se com a ruptura de stock. “Nunca tínhamos visitado Lisboa e estamos impressionados com a vida do povo português”, disseram ao DN. “Lisboa está fabulosa e cheia de vida.” Dois turistas entusiasmados com o facto de numa semana o Benfica ter vencido o campeonato nacional, o Papa ter feito uma visita a Portugal e haver uma exposição no coração da cidade cujo principal objectivo é partir pratos.

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